terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A Contabilidade na Tecnologia de Hoje

Antigamente contador era chamado de “Guarda-Livros”. E isso foi bem antes de eu começar a trabalhar. Os profissionais de então ficavam atrás de enormes mesas, com livros e mais livros a sua volta, caneta em punho e carimbos de toda sorte.
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Quando os computadores entraram no mercado, algumas tarefas que o contador executava foram sendo transferidas para aquilo que chamavam de “Cérebro Eletrônico”. Em função disso, começaram a aparecer as primeiras planilhas. Que avanço!
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Depois das planilhas – que rodavam em arcaicos monitores de fundo escuro com letras verdes – vieram os primeiros softwares, a maioria em Dbase ou Clipper. Lembro de um contador da cidade de Guarulhos (SP), que ao proferir o último lançamento de um cliente, quase que as duas horas da madrugada, entrou em pânico quando seu “poderoso” sistema em Clipper se dispôs a reindexar todos os arquivos. Bem feito, ele era aquele tipo de profissional que deixava tudo para a última hora e a consequência é que a tal reindexação só acabou as 08h30 da manhã seguinte.
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Esse fato ocorreu num tempo distante, acho que em 1.990. Com o avançar dos anos tudo melhorou e os contadores chegaram num máximo de satisfação, achando que tudo estava resolvido, tal o nível de automação. O fato é que apesar de toda a modernização ocorrida, a essência do trabalho do contador pouco havia mudado. Seu trabalho continuava sendo viabilizar o pagamento de impostos devidos e escriturar, manualmente ou em sistemas de computador, as informações das notas emitidas.
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Foi somente há cerca de quase sete anos que surgiu o SPED (Serviço Público de Escrituração Digital). Trata-se de uma ferramenta única, capaz de proporcionar ao contador mais tempo para dedicar-se às atividades estratégicas de valor agregado.
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O Brasil conta atualmente com mais de 75 mil escritórios contábeis. Substituindo o Livro Diário e o Livro Razão por arquivos digitais, o SPED transformou o processo de fiscalização, tornando-o muito mais prático e rápido. O contador agora pode se apoiar nessa solução para aprimorar sua atuação, obter mais conhecimento, ganhar novos clientes e sair na frente da concorrência. Literalmente falando, o escritório contábil passou a ser usado como consultoria, sendo o braço direito das empresas em decisões estratégicas e de negócios.
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Se formos observar os principais pontos dessa transformação, podemos começar pela dificuldade com que os contadores tinham em realizar a busca por documentos. Agora com o SPED, o que interessa para o contador é o arquivo eletrônico. Basta digitar o dado no campo de busca e ele tem em mãos uma resposta rápida e precisa.
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Como consequência, a transação e cruzamentos de dados agora é real e por isso a busca é tão facilitada. Tamanha organização facilitou o cotidiano não só do contador, mas também das empresas que passaram a compreender a importância da ajuda desse profissional.
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Por fim, uma das profissões mais antigas do mundo, mudou mais nos últimos sete anos do que em séculos de evolução. Será que todos os contadores já se deram conta disso?
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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Futuras transformações serão muito mais rápidas que as ocorridas no passado

MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA BRASIL E ENERGIA PETRÓLEO E GÁS DE DEZEMBRO 2016
Em 1998, a Kodak tinha 170 mil funcionários e vendia 85% do papel fotográfico utilizado no mundo. Em apenas 3 anos, o seu modelo de negócio foi extinto e a empresa desapareceu. O mesmo acontecerá com muitos negócios e indústrias nos próximos 10 anos e a maioria das pessoas nem vai se aperceber disso. As mudanças serão causadas pelo surgimento de novas tecnologias.
A taxa de inovação é cada vez mais acelerada e as futuras transformações serão muito mais rápidas que as ocorridas no passado. Novos softwares vão impactar a maioria dos negócios e nenhuma área de atividade estará a salvo das mudanças que virão.
Algumas delas já estão acontecendo e sinalizam o que teremos pela frente.
O UBER é apenas uma ferramenta de software e não possui um carro sequer, no entanto, constitui hoje a maior empresa de táxis do mundo. A Airbnb é o maior grupo hoteleiro do planeta, sem deter a propriedade de uma única unidade de hospedagem.
Nos EUA, jovens advogados não conseguem emprego. A plataforma tecnológica IBM Watson oferece aconselhamento jurídico básico em poucos segundos, com precisão maior que a obtida por profissionais da área. Haverá 90% menos advogados no futuro e apenas os especialistas sobreviverão. Watson também orienta diagnósticos de câncer, com eficiência maior que a de enfermeiros humanos.
Em 10 anos, a impressora 3D de menor custo reduziu o preço de US$18.000 para US$400 e tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as grandes empresas de calçados já começaram a imprimir sapatos em 3D. Até 2027, 10% de tudo o que for produzido será impresso em 3D. Nos próximos 20 anos, 70% dos empregos atuais vão desaparecer.
Em 2018, os primeiros carros autônomos estarão no mercado. Por volta de 2020, a indústria automobilística começará a ser desmobilizada porque as pessoas não necessitarão mais de carros próprios. Um aplicativo fará um veículo sem motorista busca-lo onde você estiver para leva-lo ao seu destino. Você não precisará estacionar, pagará apenas pela distância percorrida e poderá fazer outras tarefas durante o deslocamento.
As cidades serão muito diferentes, com 90% menos carros, e os estacionamentos serão transformados em parques. O mercado imobiliário também será afetado, pois, se as pessoas puderem trabalhar enquanto se deslocam, será possível viver em bairros mais distantes, melhores e mais baratos.
O número de acidentes será reduzido de 1/100 mil km para 1/10 milhões de km, salvando um milhão de vidas por ano, em todo o mundo. Com o prêmio 100 vezes menor, o negócio de seguro de carro será varrido do mercado.
Os fabricantes que insistirem na produção convencional de automóveis irão à falência, enquanto as empresas de tecnologia (Tesla, Apple, Google) estarão construindo computadores sobre rodas. Os carros elétricos vão dominar o mercado na próxima década.
A eletricidade vai se tornar incrivelmente barata e limpa. O preço da energia solar vai cair tanto que as empresas de carvão começarão a abandonar o mercado ao longo dos próximos 10 anos. No ano passado, o mundo já instalou mais energia solar do que à base de combustíveis fósseis. Com energia elétrica a baixo custo, a dessalinização tornará possível a obtenção de água abundante e barata.
No contexto deste futuro imaginário, os veículos serão movidos por eletricidade e a energia elétrica será produzida a partir de fontes não fósseis. A demanda por petróleo e gás natural cairá dramaticamente e será direcionada para fertilizantes, fármacos e produtos petroquímicos. Os países do Golfo serão os únicos fornecedores de petróleo no mercado mundial. Neste cenário ameaçador, as empresas de O&G que não se verticalizarem simplesmente desaparecerão.
No Brasil, o modelo de negócio desenhado para a Petrobras caminha no sentido oposto. Abrindo mão das atividades que agregam valor ao petróleo e abandonando a produção de energia verde, a Petrobras que restar não terá a mínima chance de sobrevivência futura.
A conferir.