terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Futuras transformações serão muito mais rápidas que as ocorridas no passado

MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA BRASIL E ENERGIA PETRÓLEO E GÁS DE DEZEMBRO 2016
Em 1998, a Kodak tinha 170 mil funcionários e vendia 85% do papel fotográfico utilizado no mundo. Em apenas 3 anos, o seu modelo de negócio foi extinto e a empresa desapareceu. O mesmo acontecerá com muitos negócios e indústrias nos próximos 10 anos e a maioria das pessoas nem vai se aperceber disso. As mudanças serão causadas pelo surgimento de novas tecnologias.
A taxa de inovação é cada vez mais acelerada e as futuras transformações serão muito mais rápidas que as ocorridas no passado. Novos softwares vão impactar a maioria dos negócios e nenhuma área de atividade estará a salvo das mudanças que virão.
Algumas delas já estão acontecendo e sinalizam o que teremos pela frente.
O UBER é apenas uma ferramenta de software e não possui um carro sequer, no entanto, constitui hoje a maior empresa de táxis do mundo. A Airbnb é o maior grupo hoteleiro do planeta, sem deter a propriedade de uma única unidade de hospedagem.
Nos EUA, jovens advogados não conseguem emprego. A plataforma tecnológica IBM Watson oferece aconselhamento jurídico básico em poucos segundos, com precisão maior que a obtida por profissionais da área. Haverá 90% menos advogados no futuro e apenas os especialistas sobreviverão. Watson também orienta diagnósticos de câncer, com eficiência maior que a de enfermeiros humanos.
Em 10 anos, a impressora 3D de menor custo reduziu o preço de US$18.000 para US$400 e tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as grandes empresas de calçados já começaram a imprimir sapatos em 3D. Até 2027, 10% de tudo o que for produzido será impresso em 3D. Nos próximos 20 anos, 70% dos empregos atuais vão desaparecer.
Em 2018, os primeiros carros autônomos estarão no mercado. Por volta de 2020, a indústria automobilística começará a ser desmobilizada porque as pessoas não necessitarão mais de carros próprios. Um aplicativo fará um veículo sem motorista busca-lo onde você estiver para leva-lo ao seu destino. Você não precisará estacionar, pagará apenas pela distância percorrida e poderá fazer outras tarefas durante o deslocamento.
As cidades serão muito diferentes, com 90% menos carros, e os estacionamentos serão transformados em parques. O mercado imobiliário também será afetado, pois, se as pessoas puderem trabalhar enquanto se deslocam, será possível viver em bairros mais distantes, melhores e mais baratos.
O número de acidentes será reduzido de 1/100 mil km para 1/10 milhões de km, salvando um milhão de vidas por ano, em todo o mundo. Com o prêmio 100 vezes menor, o negócio de seguro de carro será varrido do mercado.
Os fabricantes que insistirem na produção convencional de automóveis irão à falência, enquanto as empresas de tecnologia (Tesla, Apple, Google) estarão construindo computadores sobre rodas. Os carros elétricos vão dominar o mercado na próxima década.
A eletricidade vai se tornar incrivelmente barata e limpa. O preço da energia solar vai cair tanto que as empresas de carvão começarão a abandonar o mercado ao longo dos próximos 10 anos. No ano passado, o mundo já instalou mais energia solar do que à base de combustíveis fósseis. Com energia elétrica a baixo custo, a dessalinização tornará possível a obtenção de água abundante e barata.
No contexto deste futuro imaginário, os veículos serão movidos por eletricidade e a energia elétrica será produzida a partir de fontes não fósseis. A demanda por petróleo e gás natural cairá dramaticamente e será direcionada para fertilizantes, fármacos e produtos petroquímicos. Os países do Golfo serão os únicos fornecedores de petróleo no mercado mundial. Neste cenário ameaçador, as empresas de O&G que não se verticalizarem simplesmente desaparecerão.
No Brasil, o modelo de negócio desenhado para a Petrobras caminha no sentido oposto. Abrindo mão das atividades que agregam valor ao petróleo e abandonando a produção de energia verde, a Petrobras que restar não terá a mínima chance de sobrevivência futura.
A conferir.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sua Majestade, o Vendedor

Uma vez me disseram que uma pessoa quando não dá para nada nesta vida, ou vira motorista, ou sai por aí para vender alguma coisa. Tal afirmação ficou muito tempo em minha memória e nunca soube eu até que ponto era verdadeira ou não.
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Hoje, passados muitos anos, chego a conclusão que tal afirmação é no mínimo equivocada. Digo isso porque a função de dirigir não é executada por todas as pessoas. Existem os que não gostam e aqueles que - por medo ou por qualquer outro motivo - se recusam em faze-lo.
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Quando avaliamos a questão da pessoa sair e vender alguma coisa o quadro fica muito complicado. Digo isso porque hoje todas as empresas estão em busca de um grande mágico: o vendedor pronto, capacitado e - de preferência - especializado. E o problema está aí, já que nem todos estão prontos e capacitados para vender determinadas coisas.
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Pode até parecer incrível, mas hoje existem empresas que nem tem o que vender. Outras vendem o que outras milhares vendem. Mas em tudo que é organização, o discurso é o mesmo: qualidade, diferencial e toda aquela verborragia acadêmica que permeia o assunto.
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Vendedores prontos, capacitados e especializados são caros e difíceis de achar, ainda mais se considerarmos que tal função requer nos dias de hoje um conhecimento mínimo de tecnologia. Um vendedor qualificado se recusa a trabalhar pelo simples reembolso de combustível, até porque uma venda pode ser fechada numa visita ou demandar dez reuniões ao longo de um ano até chegarmos ao "negócio fechado" própriamente dito.
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Um vendedor especializado tem de entender daquilo que vende. Se ele vende B.I. tem de ter a capacidade de demonstrar um. Se vende E.R.P. tem de saber discorrer sobre o assunto. Se vende Home Care tem de ao menos saber apresentar um PPT mostrando as vantagens de uma internação domiciliar.
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Na prática, muitos vendedores ainda nem com notebook andam e a maioria ainda usa calculadora ao invés de uma planilha eletrônica. Para compensar o pouco dinheiro que ganham com sua falta de especialização, acabam se tornando experts em burlar quilometragens percorridas, fazendo dessa forma o "fixo mensal" render um pouco mais. Não raras vezes, notamos que vendedores em férias reembolsam a mesma quantia de quilometragem do mês anterior, mesmo sem ter rodado nada por boa parte do mês.
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A falta de especialização é gritante e por conta disso, os bons - por vezes - se sujeitam as mesmas parcas remunerações pagas aos não capacitados. Ainda assim, as empresas correm em busca desse mago que um dia poderá encher de dinheiro o cofre do patrão, empresário este que não tem se dado conta do quanto é preciso preparar um profissional dessa espécie ou investir pesado em alguém que já tenha essa capacitação.
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Por fim, vale lembrar que um vendedor especializado poderá ir além de suas atividades rotineiras, tendo grandes chances de se tornar um bom desenvolvedor de novos produtos.
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